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    Gotas de óleo dourado ricas em ómega-3 EPA e DHA a flutuar num ambiente marinho azul profundo, com reflexos turquesa e esmeralda que evocam o oceano.

    O que são os Ómega-3 EPA e DHA?

    Descubra os papéis essenciais dos Ómega-3 EPA e DHA para a saúde articular, cerebral e celular do cão, e as melhores fontes naturais a privilegiar.

    Pauline Durepaire

    Published in

    Ómega-3

    Índice

    1. EPA e DHA: de que se fala exatamente?

    2. O papel do EPA: regular a inflamação

    3. O papel do DHA: proteger as células

    4. Efeitos clinicamente demonstrados no cão

    5. As melhores fontes de Ómega-3

    6. Por que enriquecer a alimentação em EPA e DHA?

    Os ácidos gordos ómega-3 desempenham funções importantes na nutrição canina. No entanto, nem todos os tutores sabem a que correspondem estas duas siglas: EPA e DHA.

    Estas siglas designam ácidos gordos de cadeia longa associados a diferentes funções fisiológicas, nomeadamente na saúde articular, cutânea, cerebral, cardíaca, renal e imunitária.

    Vejamos como atuam, quais são algumas das suas principais fontes e por que motivo o equilíbrio entre os diferentes ácidos gordos é relevante para o bem-estar do cão.

    Cães com artrose suplementados em EPA/DHA apresentam uma melhoria significativa da mobilidade e da qualidade de vida após 12 semanas.
    Roush et al.

    EPA e DHA: de que se fala exatamente?

    EPA é a sigla de ácido eicosapentaenoico e DHA, de ácido docosahexaenoico. Ambos pertencem à família dos ómega-3.

    Ao contrário do ALA (ácido alfa-linolénico), podem ser utilizados mais diretamente pelo organismo, pois não dependem da conversão enzimática do ALA pelo organismo do cão.

    O papel do EPA: regular a inflamação

    O EPA dá origem, entre outros mediadores, à família das resolvinas E, envolvida na resolução da inflamação. Os estudos disponíveis associam-no a vários mecanismos, incluindo:

    • diminuir a produção de prostaglandinas E2 (PGE2) e leucotrienos B4;
    • limitar a ativação dos neutrófilos;
    • em alguns estudos, reduzir a dor e a rigidez articular (Bauer, 2007; Roush et al., 2010).

    O papel do DHA: proteger as células

    O DHA (ácido docosahexaenoico) é um componente estrutural importante das membranas celulares.

    Entra na composição dos fosfolípidos, lípidos que integram as membranas celulares. Estas estruturas formam uma barreira flexível e protetora e participam na comunicação entre as células.

    O DHA constitui uma proporção importante dos fosfolípidos do sistema nervoso e também tem sido estudado nos tecidos articulares, onde pode contribuir para proteger a cartilagem e participar na regulação das células ósseas.

    Um efeito condroprotetor demonstrado

    Em modelos experimentais, o DHA atua sobre os condrócitos (células da cartilagem) e os osteoclastos (células envolvidas na reabsorção óssea). Em contexto inflamatório, ajuda a preservar a estrutura da cartilagem ao:

    • favorecer a produção de colagénio de tipo II e de proteoglicanos, componentes essenciais da cartilagem;
    • reduzir a atividade de enzimas envolvidas na sua degradação, como a MMP-13;
    • e reduzir, em modelos experimentais, a produção de moléculas inflamatórias (TNF-α, IL-1β e IL-6) através do recetor FFAR4 (Ma et al., 2025).

    Em resumo, o DHA contribui para abrandar a degradação da cartilagem e para manter o equilíbrio ósseo, atuando ao mesmo tempo sobre a inflamação e sobre mecanismos ligados à manutenção celular.

    Uma regeneração celular sustentada

    Para além da proteção, o DHA contribui para a resolução dos processos inflamatórios através da produção de resolvinas D e protectinas, mediadores lipídicos endógenos. Em modelos experimentais, estas moléculas estão associadas à reparação dos tecidos e à manutenção da cartilagem articular, nomeadamente por mecanismos que envolvem a migração e a proliferação de condrócitos.

    Os metabolitos derivados do DHA, a protectina D1 e a resolvina D2, reduzem a atividade catabólica da cartilagem e favorecem a sua reparação funcional.
    Calder, Bauer

    Assim, para além do seu papel no cérebro e na visão, o DHA pode contribuir para o equilíbrio dos tecidos articulares, através de mecanismos relacionados com os condrócitos, as enzimas envolvidas na degradação da cartilagem e a resolução da inflamação.

    Efeitos clinicamente demonstrados no cão

    Os EPA e DHA atuam em vários processos fisiológicos. A tabela seguinte resume efeitos observados em cães, que podem variar consoante a população e o protocolo estudados:

    Efeitos dos Ómega-3 no cão

    Área estudadaEfeitos observadosFontes clínicas
    ArticularDiminuição da dor e melhoria da mobilidade; possíveis efeitos protetores na cartilagemRoush, Bauer, Takahashi, Tsuchida
    CutâneoRedução do prurido, melhoria da pelagemLogas
    CardiovascularEfeitos observados em cães com determinadas doenças cardíacas, incluindo alterações das arritmias e de alguns parâmetros cardiovascularesSmith, Nasciutti
    CognitivoMelhoria da memória e da aprendizagem em cachorros nos protocolos estudadosRodrigues
    RenalDiminuição da proteinúria em contextos renais estudadosBrown
    ImunitárioModulação de parâmetros imunitários e oxidativos em cães idosos, consoante o rácio alimentar estudadoMagalhaes

    Ler os estudos veterinários sobre os Ómega-3 e a artrose

    As melhores fontes de Ómega-3

    • Peixes gordos: salmão, sardinha, cavala, anchova, ricos em EPA e DHA.
    • Mexilhão de lábios verdes da Nova Zelândia (Perna canaliculus): rico em EPA, DHA e ETA.
    • Microalgas marinhas (Schizochytrium sp.): fonte vegetal de DHA.
    • Krill antártico (Euphausia superba): fonte de EPA e DHA, presentes em triglicéridos e, em parte, em fosfolípidos.

    Descubra as melhores fontes de Ómega-3 naturais

    Por que enriquecer a alimentação em EPA e DHA?

    O equilíbrio entre os diferentes ácidos gordos da alimentação merece atenção, nomeadamente o rácio entre os ómega-6 e os ómega-3.

    A composição das rações secas e dos alimentos húmidos varia. Alguns produtos apresentam uma proporção elevada de ómega-6, provenientes, entre outras fontes, de óleos vegetais, e uma proporção limitada de ómega-3 marinhos. O rácio final depende da formulação de cada alimento e deve ser avaliado no contexto da dieta completa.

    Um rácio de 2,6: 1 melhora o perfil imunitário e antioxidante dos cães, ao contrário de um rácio desequilibrado de 31: 1.
    Wander et al.

    Não existe um único rácio adequado a todos os cães. A escolha deve considerar a dieta completa, o estado de saúde e as orientações do médico veterinário, em vez de depender apenas de um intervalo como 2:1 e 4:1.

    FAQ

    Conclusão

    Os EPA e DHA são ácidos gordos ómega-3 importantes para diversas funções do organismo. Podem apoiar a mobilidade articular, a cognição e a saúde cutânea e cardíaca, além de participarem em mecanismos relacionados com a manutenção da cartilagem.

    O Laboratório Sensilia desenvolveu PERNIXOL®, um suplemento líquido que associa:

    • Óleo de mexilhão de lábios verdes da Nova Zelândia, fonte de EPA, DHA e outros lípidos bioativos;
    • Óleo de microalga, fonte vegetal de DHA.

    Esta associação foi formulada para complementar a alimentação e apoiar a mobilidade canina.

    Descubra PERNIXOL®, suplemento articular ultraconcentrado em EPA+DHA

    Referências científicas

    • Magalhães TR, Lourenço AL, Gregório H, Queiroga FL. Therapeutic Effect of EPA/DHA Supplementation in Neoplastic and Non-neoplastic Companion Animal Diseases: A Systematic Review. In Vivo. 2021 May-Jun;35(3):1419-1436. doi: 10.21873/invivo.12394. Epub 2021 Apr 28. PMID: 33910819; PMCID: PMC8193331.
    • Bauer JE. Responses of dogs to dietary omega-3 fatty acids. J Am Vet Med Assoc. 2007 Dec 1;231(11):1657-61. doi: 10.2460/javma.231.11.1657. PMID: 18052798.
    • Bauer JE. Therapeutic use of fish oils in companion animals. J Am Vet Med Assoc. 2011 Dec 1;239(11):1441-51. doi: 10.2460/javma.239.11.1441. PMID: 22087720.
    • Roush JK, Cross AR, Renberg WC, Dodd CE, Sixby KA, Fritsch DA, Allen TA, Jewell DE, Richardson DC, Leventhal PS, Hahn KA. Evaluation of the effects of dietary supplementation with fish oil omega-3 fatty acids on weight bearing in dogs with osteoarthritis. J Am Vet Med Assoc. 2010 Jan 1;236(1):67-73. doi: 10.2460/javma.236.1.67. PMID: 20043801.
    • Ma J, Kitaura H, Ohori F, Marahleh A, Fan Z, Lin A, Narita K, Murakami K, Kanetaka H. Docosahexaenoic Acid Inhibits Osteoclastogenesis via FFAR4-Mediated Regulation of Inflammatory Cytokines. Molecules. 2025 Jul 29;30(15):3180. doi: 10.3390/molecules30153180. PMID: 40807354; PMCID: PMC12348860.
    • Wang Z, Guo A, Ma L, Yu H, Zhang L, Meng H, Cui Y, Yu F, Yang B. Docosahexenoic acid treatment ameliorates cartilage degeneration via a p38 MAPK-dependent mechanism. Int J Mol Med. 2016 Jun;37(6):1542-50. doi: 10.3892/ijmm.2016.2567. Epub 2016 Apr 14. PMID: 27082436; PMCID: PMC4866951.
    • Calder PC. Marine omega-3 fatty acids and inflammatory processes: Effects, mechanisms and clinical relevance. Biochim Biophys Acta. 2015 Apr;1851(4):469-84. doi: 10.1016/j.bbalip.2014.08.010. Epub 2014 Aug 20. PMID: 25149823.
    • Smith CE, Freeman LM, Rush JE, Cunningham SM, Biourge V. Omega-3 fatty acids in Boxer dogs with arrhythmogenic right ventricular cardiomyopathy. J Vet Intern Med. 2007 Mar-Apr;21(2):265-73. doi: 10.1892/0891-6640(2007)21[265:ofaibd]2.0.co;2. PMID: 17427387.
    • Nasciutti PR, Moraes AT, Santos TK, Gonçalves Queiroz KK, Costa APA, Amaral AR, Fernando Gomes Olivindo R, Pontieri CFF, Jeremias JT, Vendramini THA, Brunetto MA, Carvalho ROA. Protective effects of omega-3 fatty acids in dogs with myxomatous mitral valve disease stages B2 and C. PLoS One. 2021 Jul 15;16(7):e0254887. doi: 10.1371/journal.pone.0254887. PMID: 34265016; PMCID: PMC8282066.
    • Rodrigues RBA, Zafalon RVA, Rentas MF, Risolia LW, Macedo HT, Perini MP, Silva AMGD, Marchi PH, Balieiro JCC, Mendes WS, Vendramini THA, Brunetto MA. The Supplementation of Docosahexaenoic Acid-Concentrated Fish Oil Enhances Cognitive Function in Puppies. Animals (Basel). 2023 Sep 16;13(18):2938. doi: 10.3390/ani13182938. PMID: 37760338; PMCID: PMC10525578.
    • Wander RC, Hall JA, Gradin JL, Du SH, Jewell DE. The ratio of dietary (n-6) to (n-3) fatty acids influences immune system function, eicosanoid metabolism, lipid peroxidation and vitamin E status in aged dogs. J Nutr. 1997 Jun;127(6):1198-205. doi: 10.1093/jn/127.6.1198. PMID: 9187636.

    Este artigo foi redigido pela equipa de I&D do Laboratório Sensilia, especializada em nutrição animal.

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