
Descubra as soluções naturais e fisioterapêuticas para aliviar a artrose do cão e preservar a sua mobilidade no dia a dia, validadas pela literatura veterinária.
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Conselhos práticosA artrose do cão é uma doença crónica, dolorosa e evolutiva que altera progressivamente a mobilidade e a qualidade de vida do animal.
Embora os tratamentos medicamentosos permitam aliviar a dor a curto prazo, nem sempre bastam para preservar de forma duradoura a flexibilidade articular, em particular nos cães idosos ou sedentários.
É por isso que muitas equipas veterinárias recorrem hoje a soluções naturais e fisioterapêuticas, assentes em abordagens complementares: hidoterapia, laser, eletroestimulação, massagens, osteopatia ou ultrassons.
Estes métodos, quando enquadrados por um profissional, permitem manter a mobilidade, reduzir a inflamação e melhorar o conforto diário do cão artrósico.
Mas quais são as técnicas realmente eficazes? Este guia apresenta uma síntese das soluções não medicamentosas mais documentadas, à luz das publicações científicas recentes.
A dor articular crónica induzida pela artrose pode originar um círculo vicioso: menos movimento → mais rigidez → perda muscular → mais dor. A abordagem multimodal tem como objetivo quebrar esta espiral, combinando vários eixos terapêuticos:
Esta combinação não cura a artrose, mas abranda a sua progressão e melhora significativamente a qualidade de vida do cão.
A hidoterapia ou a marcha numa passadeira subaquática é hoje uma das técnicas mais utilizadas na reeducação veterinária.
Permite:
Um estudo realizado na Universidade do Tennessee (Lee, 2000), em dois cães artrósicos, mostrou uma melhoria nítida da mobilidade, da postura e da capacidade de brincar, confirmada por medições objetivas da locomoção.
A hidoterapia permite um exercício num ambiente de carga reduzida, melhorando a capacidade aeróbia, a força muscular e a amplitude articular, ao mesmo tempo que diminui o impacto sobre as articulações.
A revisão de Cartlidge (2015) detalha por que motivo a hidoterapia é pertinente em cães artrósicos: a flutuabilidade reduz a carga sobre as articulações dolorosas, a resistência da água permite um trabalho muscular controlado, a estimulação proprioceptiva favorece o padrão motor e o calor proporciona um efeito analgésico. O conjunto permite melhorar ou manter a capacidade aeróbia, a força muscular e a amplitude articular, ao mesmo tempo que limita o impacto nas zonas dolorosas.
A fotobiomodulação, ou laser terapêutico, assenta na aplicação de uma luz infravermelha de baixa intensidade sobre os tecidos moles. Atua em vários mecanismos:
Na sua revisão da literatura, Hochman (2018) evidencia que a fotobiomodulação influencia tanto a resposta imunitária como a cicatrização de diferentes tipos de tecidos, abrindo caminho a uma utilização clínica enquadrada e documentada no cão.
Os estudos recentes mostram que a terapia laser modifica a resposta inflamatória e imunitária, ao mesmo tempo que favorece a cicatrização de diversos tipos de tecidos.
O TENS (Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation) é uma técnica não invasiva que consiste em aplicar leves impulsos elétricos à superfície da pele.
Estes impulsos ativam as fibras nervosas sensitivas, o que pode inibir temporariamente a transmissão do sinal doloroso até à medula espinal e ao cérebro. Este princípio assenta na teoria do “gate control”: a estimulação elétrica das fibras tácteis ocupa as vias nervosas e impede a passagem das mensagens de dor, proporcionando assim um efeito analgésico transitório.
Um estudo recente, conduzido por Pedersen et al. (2024), avaliou esta abordagem em quinze cães com artrose, com um protocolo aleatorizado e controlado por placebo. Os cães receberam sessões de TENS (80 Hz, 100 µs, 45 minutos) durante uma a duas semanas, e os seus parâmetros de marcha foram medidos num tapete sensorial. Os resultados não mostraram qualquer diferença significativa entre o grupo TENS e o grupo placebo nas variáveis locomotoras (força vertical, impulso, simetria do passo). Estes dados sugerem que, neste protocolo, o TENS não alterou a marcha nem a distribuição do peso.
Contudo, como sublinham os autores, a amostra restrita, a diversidade das articulações afetadas e a falta de uniformidade dos parâmetros na literatura tornam necessários estudos complementares antes de se tirarem conclusões sobre a sua eficácia clínica.

A estimulação vibratória localizada (Localized Vibration Therapy – LVT) é uma técnica emergente de fisioterapia veterinária que consiste em aplicar microvibrações mecânicas direcionadas nos músculos ou tendões.
Estas vibrações, calibradas a frequências específicas (geralmente entre 50 e 150 Hz), ativam os recetores neuromusculares e proprioceptivos responsáveis pela perceção do movimento e pela contração muscular reflexa.
De acordo com vários trabalhos recentes:
Há diminuições significativas da pontuação média de gravidade da dor após 7 e 14 dias de terapia vibratória localizada em comparação com os valores de partida.
Esta abordagem é particularmente pertinente na gestão das alterações locomotoras crónicas (como a artrose) ou na fase pós-operatória, quando o cão ainda não pode realizar um esforço ativo.
Aplicada por um veterinário de reabilitação, a vibração localizada pode integrar-se num protocolo global de fisioterapia, em associação com a hidoterapia, o laser terapêutico ou o TENS.
A massagem é uma das ferramentas mais simples e mais eficazes para melhorar o bem-estar locomotor do cão.
Ao estimular a pele, os músculos e a circulação, permite:
Segundo os veterinários fisioterapeutas, uma massagem suave e regular ajuda a preparar os tecidos antes de uma sessão de exercício ou a facilitar a recuperação após um esforço.
É particularmente útil em cães artrósicos cuja rigidez muscular agrava o desconforto articular.
Estes gestos devem, contudo, ser realizados com precaução: um profissional formado saberá adaptar a pressão e as zonas de contacto de acordo com o estado articular e muscular do animal.
A osteopatia veterinária assenta na palpação e na manipulação suave dos tecidos para restabelecer os micromovimentos fisiológicos do corpo.
No cão artrósico, esta abordagem visa:
A evidência disponível sobre a eficácia clínica da osteopatia e das outras técnicas manuais no cão artrósico permanece limitada, sendo a maioria dos estudos de amostra reduzida e sem grupo de controlo.
Ainda assim, as observações clínicas sugerem uma melhoria do conforto e da mobilidade, sobretudo quando estas manipulações são combinadas com medidas de fisioterapia mais globais (exercício, gestão do peso, hidoterapia, laser).
As abordagens fisioterapêuticas no cão artrósico visam, antes de mais, reduzir a dor e preservar a função articular. A sua eficácia assenta numa integração ponderada de várias técnicas complementares.
É, contudo, essencial que estas manipulações sejam realizadas apenas por um veterinário osteopata ou por um profissional devidamente certificado, pois algumas manobras podem ser contraindicadas em cães idosos ou em fase inflamatória aguda.
Descubra o nosso caso de utilização de osteopatia
Os ultrassons terapêuticos são utilizados em fisioterapia veterinária para tratar as afeções musculares, tendinosas e articulares no cão.
Assentam na emissão de ondas sonoras de alta frequência, transformadas em calor nos tecidos profundos. Este aquecimento visa melhorar a flexibilidade das fibras, estimular a circulação e aliviar a dor crónica.
Segundo a revisão sistemática de Boström et al. (2022), os resultados são contraditórios para as perturbações musculoesqueléticas (artrose, dores lombares, fraqueza dos membros posteriores): alguns benefícios pontuais foram observados, mas nenhuma confirmação independente foi publicada. Em contrapartida, os autores concluem existir evidência científica moderada de um efeito positivo dos ultrassons na consolidação óssea após fratura experimental no cão.
Os ultrassons provocam também um aumento mensurável da temperatura dos tecidos (até +5 °C nos músculos e tendões saudáveis), o que poderá explicar alguns efeitos analgésicos ou de relaxamento, sem que o mecanismo preciso esteja ainda estabelecido.
Por fim, os autores recordam que a qualidade metodológica dos estudos deve ser melhorada antes de recomendar esta técnica de forma sistemática, e que a sua utilização deve ser sempre enquadrada por um veterinário formado.
A hidoterapia, o laser, a eletroestimulação, a massagem ou a osteopatia só fazem sentido se se integrarem numa estratégia coerente e individualizada, definida por um veterinário ou por um fisioterapeuta veterinário.
O objetivo: combinar os eixos certos de acordo com a idade, a dor e a condição física do cão.
Um programa completo assenta em quatro pilares:
Ao combinar estas medidas, o cão recupera mais mobilidade, conforto e confiança nos seus movimentos, ao mesmo tempo que reforça a ligação com o seu tutor.
A artrose do cão exige uma abordagem global, que vai para além do simples tratamento.
A fisioterapia, associada a hábitos de vida adaptados (peso, atividade, ambiente) e a um apoio nutricional direcionado, constitui hoje um dos pilares mais eficazes para preservar a mobilidade e o conforto dos cães artrósicos.
Técnicas como a hidoterapia, o laser ou a estimulação vibratória oferecem benefícios concretos, enquanto as massagens e as manipulações osteopáticas contribuem para restaurar o equilíbrio muscular e articular.
Cada uma tem o seu lugar, desde que seja utilizada numa abordagem ponderada, acompanhada e personalizada.
Em complemento destes cuidados, uma suplementação diária com ómega-3 de alta qualidade, como a proporcionada por PERNIXOL®, pode ajudar a limitar a inflamação articular, apoiar a recuperação muscular e prolongar os benefícios da fisioterapia a longo prazo.
Um cão que se move bem é, antes de mais, um cão que vive melhor durante mais tempo e sem dor.
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Este artigo foi redigido pela equipa de I&D do Laboratório Sensilia, especializada em nutrição animal.
O Laboratório Sensilia é um laboratório francês, familiar e independente, situado na Gironda (França). Desde 2019, trabalhamos na investigação e no fabrico de produtos de bem-estar saudáveis e inovadores.