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    Cão idoso a descer prudentemente de um carro com a ajuda de uma rampa, ilustrando a perda de mobilidade e o apoio necessário aos cães seniores.

    Vida quotidiana com um cão com artrose: conselhos práticos

    Cão com artrose: alimentação, atividade suave, cama, ambiente, massagens e cuidados naturais: todos os gestos-chave para melhorar o conforto e a mobilidade no dia a dia.

    Pauline Durepaire

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    Conselhos práticos

    Índice

    1. Compreender a artrose do cão e reconhecer os sintomas

    2. Alimentação e peso: a base para limitar a dor

    3. Atividade física: manter sem forçar

    4. Escadas, pisos e deslocações: reduzir as sobrecargas

    5. Cama e canto de descanso: o “terreno de reparação”

    6. Acessórios de conforto e ajudas à mobilidade

    7. Massagens e medicinas suaves para aliviar

    8. Estações e meteorologia: gerir o frio, a humidade… e o calor

    9. Boas práticas no dia a dia

    Ver o seu cão abrandar, hesitar em subir as escadas ou ter dificuldade em levantar-se de manhã é uma experiência difícil para qualquer tutor. A artrose, que é muito frequente entre os cães idosos, altera a mobilidade e o conforto no dia a dia.

    A boa notícia é que, ao adaptar a alimentação, a atividade, o ambiente e os cuidados complementares, é possível melhorar significativamente a sua qualidade de vida.

    Descubra os nossos conselhos práticos para melhorar a vida quotidiana do cão com artrose.

    Compreender a artrose do cão e reconhecer os sintomas

    A artrose não é um simples “desgaste”: é um processo inflamatório crónico que envolve todo o conjunto articular (cartilagem, membrana sinovial, osso subcondral, ligamentos). A degradação da matriz cartilaginosa liberta detritos que mantêm uma sinovite, com produção de mediadores pró-inflamatórios (prostaglandinas, citocinas). Seguem-se dor, rigidez e osteófitos (bicos ósseos).

    Sinais visíveis da artrose canina
    • Rigidez ao levantar-se que melhora ao caminhar
    • Dificuldade em subir ou descer (escadas, carro, sofá)
    • Claudicação intermitente ou após esforço
    • Hesitação em saltar, correr ou brincar
    • Lambedura de uma articulação, sinais de desconforto à palpação
    • Alterações de comportamento

    Quando consultar? Assim que a claudicação persistir durante mais de 48 h, em caso de dor marcada, de recusa de passeio ou de perda de apetite. Uma avaliação veterinária (exame locomotor, imagiologia) permitirá confirmar o diagnóstico e definir um plano de acompanhamento.

    Como saber se o meu cão sofre de artrose?

    Alimentação e peso: a base para limitar a dor

    Na prática, o primeiro passo para aliviar um cão com artrose está frequentemente na tigela.

    Gestão do peso

    Cada quilo extra representa uma carga mecânica e inflamatória adicional. A perda de peso é uma das ações mais eficazes para diminuir a dor e melhorar a locomoção.

    Uma perda de peso de 6–8 % em cães com artrose reduz significativamente a claudicação e melhora a mobilidade.
    Marshall et al.

    Conselhos práticos:

    • Procurar manter um peso ideal (vigilância semanal, racionamento preciso).
    • Privilegiar um aporte proteico adequado, pois a musculatura ajuda a estabilizar as articulações.
    • Limitar as guloseimas calóricas; preferir pedaços de cenoura ou curgete.
    • Integrar nutrientes com eficácia comprovada (ver abaixo).

    Aporte de ómega-3

    Vários trabalhos mostram uma redução dos mediadores inflamatórios e uma melhoria funcional com quantidades adequadas de ómega-3 de origem marinha (EPA + DHA), presentes no óleo de mexilhão de lábios verdes, no óleo de alga e nos peixes gordos.

    Os ómega-3 mostram benefícios clínicos mensuráveis sobre a dor e a função em cães com artrose.
    Barbeau-Grégoire et al.

    Atividade física: manter sem forçar

    O repouso estrito imobiliza as articulações; a mobilização suave e regular mantém a massa muscular e o padrão motor, ao mesmo tempo que limita a dor.

    Dar prioridade a:

    • Passeios diários de 15 a 30 minutos, divididos, se necessário, em duas ou três saídas por dia.
    • Terreno plano, ritmo lento, pausas frequentes; arnês confortável.
    • Hidroterapia ou natação (se o acompanhamento e o acesso forem seguros).
    • Aquecimento de 3–5 min (passo lento), regresso progressivo à calma.

    O que se evita:

    • Lançamentos de bola, arranques bruscos, saltos, escadas repetidas.
    • Saídas longas e intensas, sobretudo com tempo frio ou húmido (ver secção Estações).

    Exercícios suaves para aliviar um cão com artrose

    Escadas, pisos e deslocações: reduzir as sobrecargas

    As escadas e os saltos aumentam consideravelmente os picos de carga nas ancas, joelhos e cotovelos. O objetivo é proteger as articulações e evitar estes esforços.

    Escadas

    • Instalar rampas (casa, carro) para subir/descer sem saltar.
    • Se as escadas forem inevitáveis: arnês de apoio e ritmo muito lento.
    • Organizar o espaço de vida no rés do chão para limitar as idas e voltas.
    Boxer idoso a subir uma rampa de acesso com a ajuda do seu tutor, ilustrando as adaptações do dia a dia para aliviar a artrose do cão.

    Pisos

    • Tapetes ou revestimentos antiderrapantes nas zonas escorregadias (cozinha, corredor).
    • Meias antiderrapantes ou botins para os cães sujeitos a escorregadelas.
    • Elevar as tigelas para limitar a flexão dolorosa do pescoço e dos ombros.

    Cama e canto de descanso: o “terreno de reparação”

    O sono e o relaxamento muscular condicionam a recuperação.

    • Colchão ortopédico (espuma viscoelástica, espessura ≥ 8–10 cm), firme, mas confortável para distribuir as pressões.
    • Local calmo, sem correntes de ar, longe das escadas.
    • Ligeira elevação se isso facilitar que o cão se levante; acesso “ao rés do chão” (sem saltar).
    • No inverno: manta polar ou cobertor aquecido de baixa intensidade (sob supervisão).
    • Após a chuva: secar completamente (ver Estações).

    Cama ortopédica para o cão com artrose

    Acessórios de conforto e ajudas à mobilidade

    • Arnês de apoio (peito ou anca) para movimentos mais difíceis (carro, alguns degraus).
    • Casaco ou colete térmico em tempo frio, para manter as articulações aquecidas.
    • Tapete aquecido de baixa intensidade (uso pontual, supervisionado) para aliviar a rigidez.
    • Botins se as almofadas forem sensíveis ou o piso abrasivo; meias antiderrapantes no interior.
    • Antiderrapantes adesivos em zonas estratégicas (bordo do tapete, base da escada).

    Massagens e medicinas suaves para aliviar

    As massagens terapêuticas aliviam as tensões, melhoram a vascularização e participam na modulação da dor.

    • Osteopatia veterinária: trabalho global sobre as restrições de mobilidade, as compensações e a biomecânica.
    • Fisioterapia ou reeducação funcional: programa de exercícios progressivos (reforço suave, propriocepção, alongamentos) acompanhado por um veterinário ou fisioterapeuta veterinário.
    • Acupuntura: pode contribuir para a modulação da dor (endorfinas) e para a diminuição da inflamação em alguns cães.

    Recorrer sempre a profissionais qualificados para estas técnicas e integrá-las num plano global que combine acompanhamento médico e hábitos de vida adequados.

    Técnicas de massagem para aliviar o seu cão

    Estações e meteorologia: gerir o frio, a humidade… e o calor

    Na prática, a meteorologia pode influenciar as dores articulares: adaptar as rotinas sazonais pode fazer a diferença.

    Frio

    • Privilegiar um espaço quente (divisão temperada, cama isolante, manta).
    • Cobrir nas saídas de inverno; aquecimento mais longo.
    • Evitar os pisos frios (ladrilho): tapetes isolantes, cama espessa.

    Humidade

    • Secar completamente o cão após a chuva ou o banho (toalha, ar tépido).
    • Evitar os locais húmidos; arejar e desumidificar se necessário.

    Calor

    • Sair nas horas mais frescas, fracionar os passeios.
    • Hidratação, pausas à sombra; atenção à fadiga, que pode agravar a dor.

    Boas práticas no dia a dia

    • Rotina estável (horas das refeições, passeios e sono).
    • Observar: rigidez nova, recusa de passeio ou gemidos exigem avaliação veterinária.
    • Fracionar o esforço: pequenas saídas e descanso de qualidade.
    • Cortar as unhas, pois unhas demasiado compridas alteram a postura e aumentam as sobrecargas.
    • Cuidar das almofadas, pois fissuras ou feridas podem agravar a claudicação.
    • Adaptar continuamente: o que convém no outono pode deixar de ser suficiente no inverno.

    FAQ

    Conclusão

    Melhorar a vida de um cão com artrose implica adotar várias medidas simples: alimentação equilibrada, mobilização suave, casa adaptada, acessórios bem escolhidos, massagens, fisioterapia e proteção térmica consoante as estações. Sustentados pela evidência clínica, estes ajustes melhoram o quotidiano e ajudam o cão a recuperar mobilidade e alegria.

    Referências científicas

    • Johnston SA. Osteoarthritis. Joint anatomy, physiology, and pathobiology. Vet Clin North Am Small Anim Pract. 1997 Jul;27(4):699-723. doi: 10.1016/s0195-5616(97)50076-3. PMID: 9243777.
    • Anderson, K.L., O’Neill, D.G., Brodbelt, D.C. et al. Prevalence, duration and risk factors for appendicular osteoarthritis in a UK dog population under primary veterinary care. Sci Rep 8, 5641 (2018). https://doi.org/10.1038/s41598-018-23940-z
    • Marshall WG, Hazewinkel HA, Mullen D, De Meyer G, Baert K, Carmichael S. The effect of weight loss on lameness in obese dogs with osteoarthritis. Vet Res Commun. 2010 Mar;34(3):241-53. doi: 10.1007/s11259-010-9348-7. Epub 2010 Mar 17. PMID: 20237844; PMCID: PMC2855019.
    • Barbeau-Grégoire M, Otis C, Cournoyer A, Moreau M, Lussier B, Troncy E. A 2022 Systematic Review and Meta-Analysis of Enriched Therapeutic Diets and Nutraceuticals in Canine and Feline Osteoarthritis. Int J Mol Sci. 2022 Sep 8;23(18):10384. doi: 10.3390/ijms231810384. PMID: 36142319; PMCID: PMC9499673.
    • Moreau M, Troncy E, Del Castillo JR, Bédard C, Gauvin D, Lussier B. Effects of feeding a high omega-3 fatty acids diet in dogs with naturally occurring osteoarthritis. J Anim Physiol Anim Nutr (Berl). 2013 Oct;97(5):830-7. doi: 10.1111/j.1439-0396.2012.01325.x. Epub 2012 Jul 14. PMID: 22805303.

    Este artigo foi redigido pela equipa de I&D do Laboratório Sensilia, especializada em nutrição animal.

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