O seu cão levanta-se rígido de manhã, tem dificuldade em acompanhar os seus passeios ou coxeia após alguns minutos de esforço? Estes sinais estão frequentemente ligados a uma inflamação articular. Este fenómeno biológico, bem mais complexo do que um simples «desgaste», desempenha um papel central na progressão da artrose canina.
Há vários anos que os veterinários se interessam pelos ómega-3, conhecidos pela sua ação anti-inflamatória. Mas como atuam realmente estes nutrientes nas articulações? E que evidências científicas existem no cão?
Inflamação articular: compreender o mecanismo
A inflamação articular é desencadeada quando a cartilagem e os tecidos vizinhos começam a degradar-se. Isso provoca uma reação em cadeia:
Ativação de enzimas pró-inflamatórias: COX e LOX
Estas enzimas chamam-se ciclo-oxigenases (COX) e lipoxigenases (LOX). O seu papel é transformar os ácidos gordos presentes nas membranas celulares em pequenas moléculas que desencadeiam a inflamação. Estas moléculas são as prostaglandinas e os leucotrienos, responsáveis pela dor, pelo calor e pelo inchaço observados na articulação.
Libertação de citocinas: TNF-α, IL-1β, IL-6
As citocinas são mensageiros químicos produzidos pelas células imunitárias. O TNF-α (fator de necrose tumoral alfa), a IL-1β (interleucina 1 beta) e a IL-6 estão entre as mais agressivas: estimulam a inflamação, mantêm a dor e ativam ainda mais as enzimas destruidoras. Por outras palavras, são «altifalantes biológicos» que amplificam o sinal inflamatório.
Hiperatividade dos osteoclastos
Os osteoclastos são células especializadas na reabsorção óssea, ou seja, «roem» o osso. Quando estão demasiado ativos, degradam o osso subcondral (o osso situado imediatamente por baixo da cartilagem). Em consequência, a articulação perde estabilidade e torna-se mais frágil, acelerando a artrose.
Se a inflamação articular pode parecer um círculo vicioso impossível de controlar, certos nutrientes são capazes de intervir nesta cascata biológica. Os ácidos gordos Ómega-3, e mais particularmente o EPA (ácido eicosapentaenoico) e o DHA (ácido docosahexaenoico), desempenham um papel central na regulação destes mecanismos.
O que são os Ómega-3?
Os ómega-3 são uma família de ácidos gordos polinsaturados essenciais. São considerados essenciais porque o cão não os consegue produzir sozinho: têm de ser obtidos através da alimentação. São polinsaturados porque a sua estrutura química possui várias ligações duplas, o que lhes confere propriedades únicas para a saúde das membranas celulares e a regulação da inflamação.
Entre os Ómega-3, três são particularmente conhecidos:
ALA (ácido alfa-linolénico): certos óleos vegetais como o de linhaça, o de colza ou as sementes de chia. No cão, este ALA deve ser transformado pelo organismo em EPA e DHA para ser útil às articulações. Problema: esta conversão é muito fraca (muitas vezes inferior a 5 %), o que significa que uma grande parte do ALA permanece inutilizada.
EPA (ácido eicosapentaenoico): encontrado nos peixes, crustáceos e algas. É um dos principais agentes anti-inflamatórios.
DHA (ácido docosahexaenoico): também proveniente de fontes marinhas, desempenha um papel-chave na regulação das células imunitárias e na proteção dos tecidos.
Ómega-3: a sua ação nas articulações
Reduzem as enzimas pró-inflamatórias (COX-LOX)
Regulam a reação inflamatória (citocinas)
Protegem as células ósseas (osteoclastos)
Acalmam naturalmente a inflamação (resolvinas e protectinas)
Ação sobre as enzimas COX e LOX: As enzimas COX e LOX utilizam normalmente o ácido araquidónico, um Ómega-6 envolvido na produção de mediadores pró-inflamatórios. Quando o EPA está disponível em quantidade suficiente, entra em competição com este ácido gordo e favorece a formação de mediadores menos inflamatórios, o que contribui para limitar a dor e o inchaço.
Modulação das citocinas pró-inflamatórias: O DHA atua também na expressão de certas citocinas envolvidas na inflamação, como o TNF-α, a IL-1β e a IL-6. Ao limitar a produção destes mensageiros, ajuda a travar a amplificação da resposta inflamatória.
Produção de moléculas «pró-resolutivas»: Para além de bloquear a inflamação, o EPA e o DHA servem também de precursores de moléculas chamadas resolvinas e protectinas. O seu papel é extinguir o fogo inflamatório ao acelerar o regresso ao equilíbrio (homeostasia), em vez de deixar a inflamação persistir.
Proteção da cartilagem e regulação óssea: O DHA contribui também para proteger a cartilagem articular. Nos modelos estudados, reduz a expressão da MMP-13, uma enzima envolvida na degradação da matriz cartilagínea, e diminui as lesões observadas na articulação. Em paralelo, os Ómega-3 participam na regulação dos osteoclastos, as células responsáveis pela reabsorção óssea.
Em resumo: enquanto a artrose ativa continuamente as enzimas, as citocinas e os osteoclastos que destroem as articulações, os ómega-3 intervêm a vários níveis para travar este processo e devolver ao organismo a capacidade de regular a inflamação.
Os estudos veterinários sobre os Ómega-3 e as articulações dos cães
Numerosos estudos veterinários debruçaram-se sobre os efeitos dos ómega-3 EPA e DHA em cães com artrose. As investigações mostram benefícios relevantes na redução da dor articular, na mobilidade e no conforto locomotor dos cães com artrose.
Uma melhoria significativa da mobilidade
Vários estudos veterinários publicados em 2010 avaliaram os efeitos dos Ómega-3 EPA e DHA em cães com artrose.
Um primeiro estudo publicado no Journal of the American Veterinary Medical Association acompanhou 38 cães com artrose durante 90 dias. Os investigadores observaram:
uma melhoria significativa do apoio do membro afetado,
uma diminuição da claudicação,
bem como uma melhoria global da mobilidade.
Os cães suplementados com ómega-3 apresentavam uma melhoria média de 5,6 % do apoio do membro artósico, contra apenas 0,4 % no grupo de controlo. Os investigadores também constataram uma melhoria da locomoção em 82 % dos cães suplementados, contra 38 % no grupo de controlo.
Um segundo estudo realizado em 127 cães com artrose durante 6 meses mostrou:
uma melhoria da capacidade de se levantar após o repouso,
uma melhoria da marcha,
um aumento da vontade de brincar,
bem como uma melhoria progressiva do conforto articular.
Os tutores observavam benefícios a partir de 6 semanas de suplementação, com uma melhoria mais marcada após 12 a 24 semanas.
As análises sanguíneas confirmavam também um forte aumento dos níveis de EPA e DHA, bem como uma diminuição do ácido araquidónico, um ácido gordo envolvido na inflamação articular.
Por fim, um terceiro estudo publicado no Journal of Veterinary Internal Medicine avaliou diferentes doses de Ómega-3 em 177 cães com artrose crónica.
Os investigadores observaram que os cães que recebiam as concentrações mais elevadas de EPA e DHA apresentavam:
uma diminuição mais acentuada da claudicação,
uma melhor capacidade de apoio,
uma melhoria do conforto articular,
bem como um abrandamento percetível da progressão da artrose.
Os autores concluíram que uma alimentação enriquecida em ómega-3 EPA e DHA poderia contribuir para melhorar a mobilidade, o conforto articular e alguns sinais clínicos da artrose no cão.
Uma possível redução dos anti-inflamatórios
Um estudo publicado em 2010 no Journal of the American Veterinary Medical Association avaliou os efeitos de uma alimentação enriquecida em ómega-3 provenientes de óleo de peixe em 131 cães com artrose crónica e já tratados com carprofeno, um anti-inflamatório veterinário habitualmente utilizado contra a dor articular.
O estudo foi realizado em 33 clínicas veterinárias nos Estados Unidos durante 12 semanas. Os cães recebiam uma alimentação convencional pobre em ómega-3 ou uma alimentação enriquecida em ómega-3. Os veterinários ajustavam depois, de forma progressiva, a dose de carprofeno em função da evolução clínica dos cães.
Os investigadores observaram:
uma diminuição mais rápida das doses de carprofeno nos cães suplementados com Ómega-3,
uma melhoria clínica que permitia reduzir mais frequentemente os anti-inflamatórios,
bem como uma melhor estabilização dos sinais de artrose ao longo do acompanhamento.
No final do estudo:
46 % dos cães que recebiam os ómega-3 puderam reduzir a dose de carprofeno,
contra 33 % no grupo de controlo.
Os autores sublinham também que a diminuição das doses de anti-inflamatórios poderia ajudar a limitar os efeitos secundários associados a uma utilização prolongada dos AINEs em cães com artrose.
Os investigadores concluem que os ómega-3 poderiam representar uma abordagem nutricional interessante como complemento dos tratamentos veterinários clássicos em cães com artrose crónica.
Uma diminuição da dor e melhoria da locomoção
Dois estudos clínicos avaliaram os efeitos de uma suplementação diária com ómega-3 EPA e DHA em cães com artrose.
Um primeiro estudo, publicado em 2016 em Prostaglandins, Leukotrienes and Essential Fatty Acids, acompanhou 78 cães com artrose durante 84 dias. Os cães recebiam um óleo placebo ou uma suplementação com ómega-3 marinhos que fornecia, em média, 69 mg/kg/dia de EPA e DHA.
Os investigadores observaram:
uma diminuição significativa da dor e da claudicação,
uma melhoria do conforto locomotor,
uma melhoria das pontuações articulares,
bem como uma redução dos marcadores inflamatórios sanguíneos.
Após 84 dias, os cães suplementados apresentavam uma melhoria significativa de todos os critérios clínicos que avaliam a dor, a claudicação e a gravidade do quadro articular. Os benefícios na inflamação apareciam a partir dos 42 dias, enquanto as melhorias da locomoção se tornavam particularmente visíveis após 84 dias.
Um segundo estudo, publicado em 2024 em Animals, avaliou uma suplementação diária em Ómega-3 marinhos em 29 cães adultos durante 16 semanas. Os cães recebiam cerca de 70 mg/kg/dia de EPA e DHA.
Os investigadores observaram:
um forte aumento dos níveis sanguíneos de ómega-3,
uma diminuição média de 16 % das pontuações de dor,
uma melhoria da qualidade de vida,
e uma excelente tolerância.
Os resultados foram particularmente marcados nos cães pequenos, com uma diminuição de 38 % das pontuações de dor e uma melhoria significativa da qualidade de vida.
Os autores concluem que uma suplementação diária com EPA e DHA poderia contribuir para reduzir a dor, melhorar o conforto articular e apoiar a qualidade de vida dos cães com artrose ou dores crónicas.
Os Ómega-3: os ativos mais eficazes contra a artrose do cão
Uma revisão sistemática publicada em 2022 no International Journal of Molecular Sciences avaliou o conjunto dos estudos veterinários disponíveis sobre os nutracêuticos utilizados em cães e gatos com artrose. Os investigadores analisaram 57 publicações que reuniam 72 ensaios clínicos sobre diferentes suplementos nutricionais destinados a melhorar a dor e a mobilidade articular.
Os autores compararam a eficácia dos principais nutracêuticos estudados, nomeadamente os Ómega-3, o colagénio, a glucosamina-condroitina e outros suplementos utilizados em medicina veterinária.
Os investigadores observaram:
uma eficácia particularmente sólida dos ómega-3 nas dores de artrose,
uma melhoria da mobilidade e do conforto articular em vários estudos,
resultados mais limitados para o colagénio,
e uma ausência de eficácia comprovada para os suplementos à base de glucosamina e condroitina.
Os autores sublinham também que os estudos sobre os Ómega-3 estão entre os mais numerosos e os mais robustos metodologicamente entre todos os nutracêuticos avaliados.
Os ómega-3 são os suplementos que apresentam o nível de evidência de eficácia mais sólido em cães com artrose.
Barbeau-Grégoire, 2022
Segundo os investigadores, os Ómega-3 EPA e DHA atuariam nomeadamente ao modular os mecanismos inflamatórios envolvidos na dor e na degradação articular.
Os investigadores concluem que os ómega-3 dispõem hoje do nível de evidência científica mais sólido entre as abordagens nutricionais estudadas para acompanhar os cães com artrose.
Os benefícios comprovados dos Ómega-3 em cães com artrose
Diminuição da dor articular
Melhoria da mobilidade e da locomoção
Redução da claudicação
Melhor apoio do membro afetado
Melhoria do conforto articular e da qualidade de vida
Melhor capacidade de se levantar, caminhar e brincar
Redução de certos marcadores inflamatórios
Possível diminuição das necessidades de anti-inflamatórios
Boa tolerância observada nos estudos clínicos
Os estudos científicos disponíveis sugerem que os Ómega-3 EPA e DHA poderiam contribuir para melhorar a mobilidade, reduzir a dor articular e apoiar o conforto dos cães com artrose. Hoje, os Ómega-3 fazem parte das abordagens nutricionais mais estudadas em saúde articular canina.
Onde encontrar os Ómega-3?
Se os benefícios dos Ómega-3 estão comprovados, ainda é preciso saber quais as fontes a privilegiar. Os cães não conseguem produzir naturalmente EPA e DHA em quantidade suficiente: devem obtê-los através da alimentação.
Fontes vegetais (óleo de linhaça, de colza, de noz): fornecem ALA (ácido alfa-linolénico), que deve ser transformado pelo organismo em EPA e DHA. No cão, esta conversão é muito limitada, o que torna estas fontes pouco eficazes.
Fontes marinhas: os óleos de peixes gordos (salmão, sardinha, anchova), o krill e o óleo de microalgas contêm EPA e DHA diretamente biodisponíveis.
Fonte premium: o óleo de mexilhão de lábios verdes da Nova Zelândia. Para além de EPA e DHA, contém Ómega-3 raros como o ETA e o OTA, que possuem um efeito anti-inflamatório complementar.
Por outras palavras, nem todas as fontes de ómega-3 são equivalentes. Os óleos vegetais não bastam, enquanto os extratos marinhos concentrados oferecem os resultados mais convincentes.
O óleo de mexilhão de lábios verdes: um concentrado natural de Ómega-3 únicos
O mexilhão de lábios verdes da Nova Zelândia (Perna canaliculus), consumido há séculos pelos Maoris, é hoje uma das fontes de Ómega-3 mais estudadas para a saúde articular. O seu óleo é obtido por processos suaves como a extração com CO₂ supercrítico, que preservam os seus ácidos gordos sensíveis.
Porque é considerada uma fonte «premium»?
Um perfil lipídico excecional: para além do EPA e do DHA, contém Ómega-3 raros como o ETA e o OTA.
O ETA (ácido eicosatetraenoico) atua como um inibidor seletivo da lipoxigenase (LOX), limitando a produção de leucotrienos pró-inflamatórios.
O OTA (ácido octadecatetraenoico), ainda menos difundido, reforça esta modulação ao contribuir para acalmar a cascata inflamatória.
Antioxidantes raros: os ácidos gordos furânicos e os carotenoides que atuam no stress oxidativo com uma potência semelhante à da vitamina C.
Efeitos múltiplos sobre a articulação: os seus lípidos reduzem também a atividade dos osteoclastos (células que «roem» o osso sob a cartilagem), contribuindo para manter uma melhor estabilidade articular.
Provas clínicas sólidas: vários ensaios (Pollard et al., 2006; Vijarnsorn et al., 2019) mostram uma melhoria significativa da mobilidade e uma boa tolerância em cães com artrose.
Uma melhor biodisponibilidade: uma parte dos Ómega-3 do mexilhão de lábios verdes é transportada por fosfolípidos. Ao contrário dos triglicéridos (óleos de peixe), integram-se diretamente nas membranas celulares, o que facilita a absorção e o transporte do EPA, do DHA e do ETA até aos tecidos-alvo.
Em resumo: o mexilhão de lábios verdes distingue-se pela sua riqueza em Ómega-3 variados, pela sua eficácia comprovada na mobilidade e pela qualidade da sua forma lipídica, que otimiza a assimilação.
Os Ómega-3 não são todos equivalentes: sobretudo o EPA, o DHA e certos ómega-3 raros como o ETA e o OTA podem atuar diretamente na inflamação articular.
A sua ação está comprovada: os estudos clínicos mostram uma melhoria da mobilidade, uma redução da dor e, por vezes, uma diminuição do recurso aos anti-inflamatórios.
A fonte conta: os óleos vegetais fornecem sobretudo ALA, pouco útil no cão; os óleos de fontes marinhas fornecem EPA e DHA; o óleo de mexilhão de lábios verdes associa EPA, DHA, ETA e OTA, e antioxidantes raros.
Um apoio global: os Ómega-3 não substituem um tratamento veterinário, mas integram-se numa abordagem multimodal com gestão do peso, atividade suave e acompanhamento médico.
Paciência e regularidade: os efeitos aparecem geralmente após várias semanas de suplementação contínua (6 a 12 semanas em média).
Integrar uma fonte fiável de ómega-3 na alimentação do seu cão é investir na sua qualidade de vida e preservar a sua mobilidade a longo prazo. Para os tutores que desejam oferecer ao seu companheiro uma fonte fiável e eficaz de ómega-3, o óleo de mexilhão de lábios verdes da Nova Zelândia constitui uma opção de referência.
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Este artigo foi redigido pela equipa de I&D do Laboratório Sensilia, especializada em nutrição animal.
O Laboratório Sensilia é um laboratório francês, familiar e independente, situado na Gironda (França). Desde 2019, trabalhamos na investigação e no fabrico de produtos de bem-estar saudáveis e inovadores.