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    Macrofotografia ultrarrealista de pó de harpagósido, proveniente da raiz de harpagophytum, de cor castanho-claro com reflexos dourados, ilustrando um ativo natural reconhecido pelas suas propriedades calmantes e articulares nos suplementos alimentares para cães.

    Harpagophytum: é realmente eficaz?

    Artrose do cão: o harpagophytum é eficaz? Estudos, limites e precauções, e alternativas validadas (ómega-3, peso, exercícios) para um verdadeiro conforto.

    Pauline Durepaire

    Published in

    Ingredientes naturais
    Harpagophytum

    Índice

    1. O que é o harpagophytum?

    2. O que dizem os estudos sobre o harpagophytum?

    3. Limites e precauções de utilização

    4. Alternativas validadas

    A artrose é um dos problemas articulares mais frequentes no cão. Perante este problema, muitos tutores procuram alternativas naturais para aliviar o seu companheiro.

    Entre elas, o Harpagophytum procumbens, mais conhecido como garra-do-diabo, é frequentemente apresentado como uma planta com propriedades anti-inflamatórias. Mas o que dizem realmente os estudos científicos e, sobretudo, é eficaz no cão?

    O que é o harpagophytum?

    O Harpagophytum procumbens, mais conhecido como garra-do-diabo, é uma planta herbácea perene e rastejante originária das regiões áridas da África austral, principalmente do deserto do Kalahari, da Namíbia e do Botswana. Deve o seu nome comum aos ganchos característicos dos seus frutos, capazes de se agarrar às patas dos animais que a dispersam na natureza.

    É sobretudo a raiz secundária tuberizada da planta que é utilizada em fitoterapia. Contém uma elevada concentração de princípios ativos, nomeadamente os harpagósidos, moléculas naturais pertencentes à família dos iridoides, conhecidas por ajudar a reduzir a inflamação e a dor. São elas que explicariam em grande parte os efeitos anti-inflamatórios e analgésicos da planta.

    Ilustração botânica do harpagophytum, também chamado garra-do-diabo, utilizado em fitoterapia e contra a artrose do cão.

    Historicamente, as populações indígenas San e Khoïkhoï da África austral utilizavam o harpagophytum para aliviar a febre, as perturbações digestivas, as dores articulares e até certas feridas. No início do século XX, a planta foi introduzida na Europa por colonos alemães, onde rapidamente suscitou o interesse da medicina natural pela sua ação sobre as dores reumáticas. O seu uso generalizou-se nos anos 1970-1980, a ponto de o harpagophytum se ter tornado uma espécie ameaçada pela sobre-exploração. Hoje, a sua colheita é rigorosamente regulamentada para preservar o recurso natural.

    Encontra-se sob a forma de cápsulas, comprimidos, pós ou extratos líquidos, utilizados tanto na medicina humana como na fitoterapia veterinária.

    Esta longa tradição de uso, aliada à sua integração na medicina moderna, explica por que motivo o harpagophytum é frequentemente proposto como alternativa natural para aliviar a artrose do cão.

    O que dizem os estudos sobre o harpagophytum?

    As raízes do harpagophytum contêm várias moléculas naturais que explicam os seus efeitos anti-inflamatórios e analgésicos. Entre elas, os glicósidos iridoides – e sobretudo o harpagósido – desempenham um papel preponderante. Também se encontram flavonoides (antioxidantes), fitosteróis (anti-inflamatórios ligeiros) e ácidos fenólicos (calmantes).

    Estes compostos atuam em conjunto para travar a inflamação e aliviar a dor. Em concreto:

    • bloqueiam duas enzimas (COX-2 e LOX) responsáveis pela produção de prostaglandinas e de leucotrienos, mensageiros que acentuam a dor, a febre e o inchaço;
    • reduzem a produção de citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-1β, IL-6);
    • protegem as células contra o stress oxidativo;
    • e diminuem a sensibilidade dos nervos nas zonas dolorosas.

    Em laboratório, o harpagósido demonstrou poder reduzir a libertação de moléculas inflamatórias como o óxido nítrico e o TNF-α, confirmando uma ação direta na modulação da reação inflamatória (Jang et al., 2003).

    Estudos in vitro em células

    Os estudos realizados em células mostram que o harpagophytum atua a vários níveis. Os seus extratos padronizados reduzem a produção de proteínas inflamatórias, de prostaglandinas e de COX-2.

    Um extrato de harpagophytum à base de álcool (60 %) reduziu a produção destas substâncias, ao mesmo tempo que travava a atividade de um «interruptor» da inflamação chamado AP-1, sem influenciar outra via principal de regulação, o NF-κB.
    Fiebich et al.

    Por seu lado, o harpagósido purificado bloqueia a reação em cadeia responsável pela inflamação e limita a formação de moléculas envolvidas na dor e na rigidez (Huang et al., 2006).

    Estes trabalhos confirmam que a planta atua em vários eixos em simultâneo para acalmar os tecidos inflamados.

    Estudos clínicos no ser humano

    No ser humano, a evidência é mais sólida. Vários ensaios clínicos mostraram:

    • uma redução moderada mas significativa da dor na artrose do joelho e da anca,
    • e uma melhor mobilidade nas lombalgias crónicas.

    Um ensaio aleatorizado mostrou que 600 mg/dia de extrato de harpagophytum melhorava a dor e a mobilidade em doentes com artrose (Chrubasik et al., 1999).

    Uma meta-análise confirma uma eficácia superior ao placebo, mas variável consoante a qualidade do extrato e a dose utilizada (Brien et al., 2006).

    Estudos clínicos no cão

    Nenhum estudo clínico publicado avaliou ainda a eficácia do harpagophytum no cão com artrose. Algumas observações informais sugerem uma melhoria da mobilidade, mas permanecem empíricas e insuficientes para tirar conclusões científicas.

    Em resumo, os dados sustentam uma eficácia plausível no ser humano, mas ainda pouco estudada no cão.

    O harpagophytum deve, por isso, ser considerado um apoio complementar, a integrar numa abordagem global sob acompanhamento veterinário.

    Limites e precauções de utilização

    Apesar da sua imagem de planta «suave» e do seu uso ancestral, o harpagophytum não é um remédio milagroso e a sua utilização no cão deve ser ponderada com prudência.

    Limites científicas

    • Nenhum dado clínico no cão
    • Resultados modestos: mesmo no ser humano, os efeitos são frequentemente descritos como moderados e variáveis consoante os indivíduos.
    • Qualidade dos extratos variável: o teor em harpagósido (princípio ativo) pode variar fortemente consoante as preparações. Ora, é este teor que condiciona a eficácia.

    Efeitos secundários e contraindicações

    O harpagophytum é geralmente bem tolerado, mas alguns cães podem apresentar perturbações digestivas (diarreia, vómitos ou perda de apetite), hipotensão moderada ou uma possível interação com certos tratamentos (anti-inflamatórios, anticoagulantes).

    A sua utilização é desaconselhada:

    • em cães com úlceras gastroduodenais ou gastrite crónica,
    • em caso de doenças cardíacas ou hepáticas graves,
    • em cadelas gestantes ou a amamentar (por precaução, devido à ausência de dados).

    Importância do acompanhamento veterinário

    O harpagophytum não deve ser administrado durante períodos prolongados sem acompanhamento veterinário. Utiliza-se idealmente no âmbito de uma abordagem global (alimentação adaptada, gestão do peso, suplementos validados cientificamente, fisioterapia) e sob orientação veterinária.

    O que deve reter
    • Nenhuma eficácia demonstrada no cão com problemas articulares
    • Nenhum estudo veterinário disponível no cão com artrose
    • Risco de efeitos secundários
    • Contraindicado em caso de determinadas doenças ou tratamentos

    Alternativas validadas

    Embora o harpagophytum possa constituir um apoio natural, não deve ser encarado como a única resposta à artrose do cão. A abordagem mais eficaz permanece multifatorial, combinando vários eixos validados cientificamente.

    1. Os ómega-3 marinhos

    Os ácidos gordos EPA e DHA provenientes de fontes marinhas, tais como o óleo de mexilhão de lábios verdes ou o óleo de alga, demonstraram a sua capacidade de reduzir a inflamação articular e melhorar a mobilidade no cão. Ao contrário do harpagophytum, a sua eficácia está documentada por numerosos ensaios clínicos veterinários.

    Ómega-3 e inflamação articular no cão

    2. O controlo do peso

    Um cão com excesso de peso exerce uma pressão mecânica adicional sobre as articulações, o que agrava a dor e acelera a evolução da artrose. A perda de peso é frequentemente a primeira recomendação veterinária para melhorar o conforto articular.

    Cão com excesso de peso e dores articulares: o que fazer?

    3. O exercício físico adaptado

    Ao contrário das ideias preconcebidas, um cão com artrose não deve permanecer imóvel. Os exercícios suaves e regulares (passeios controlados, hidroterapia, fisioterapia) mantêm a massa muscular e previnem a rigidez articular.

    Exercícios suaves para aliviar um cão com artrose

    4. Adaptar o modo de vida no dia a dia

    Para além da alimentação e dos suplementos, o ambiente do cão desempenha um papel-chave no seu conforto articular. Algumas medidas simples podem fazer a diferença:

    • instalar tapetes antiderrapantes para evitar escorregadelas,
    • oferecer uma cama ortopédica ou de espuma viscoelástica para reduzir a pressão sobre as articulações,
    • limitar o acesso às escadas,
    • privilegiar os pisos macios em vez de ladrilho ou soalho escorregadio.

    Vida quotidiana com um cão com artrose: conselhos práticos

    FAQ

    Conclusão

    O harpagophytum é uma planta utilizada há séculos para aliviar as dores articulares. Os seus compostos ativos, nomeadamente o harpagósido, possuem mecanismos anti-inflamatórios demonstrados em laboratório e confirmados parcialmente no ser humano. No cão, contudo, ainda não existe evidência clínica.

    O harpagophytum pode ser utilizado como complemento e sob controlo veterinário, mas não substitui as abordagens mais bem comprovadas: ómega-3, controlo do peso, exercícios suaves, fisioterapia.

    Referências científicas

    • Jang MH, Lim S, Han SM, Park HJ, Shin I, Kim JW, Kim NJ, Lee JS, Kim KA, Kim CJ. Harpagophytum procumbens suppresses lipopolysaccharide-stimulated expressions of cyclooxygenase-2 and inducible nitric oxide synthase in fibroblast cell line L929. J Pharmacol Sci. 2003 Nov;93(3):367-71. doi: 10.1254/jphs.93.367. PMID: 14646256.
    • Bernd L. Fiebich, Eduardo Muñoz, Thorsten Rose, Gabriele Weiss, Gerard P. McGregor. Molecular Targets of the Antiinflammatory Harpagophytum procumbens (Devil’s claw): Inhibition of TNFa and COX-2 Gene Expression by Preventing Activation of AP-1. Phytother. Res. 26: 806–811 (2012). DOI: 10.1002/ptr.3636
    • Huang TH, Tran VH, Duke RK, Tan S, Chrubasik S, Roufogalis BD, Duke CC. Harpagoside suppresses lipopolysaccharide-induced iNOS and COX-2 expression through inhibition of NF-kappa B activation. J Ethnopharmacol. 2006 Mar 8;104(1-2):149-55. doi: 10.1016/j.jep.2005.08.055. Epub 2005 Oct 3. PMID: 16203115.
    • Lanhers MC, Fleurentin J, Mortier F, Vinche A, Younos C. Anti-inflammatory and analgesic effects of an aqueous extract of Harpagophytum procumbens. Planta Med. 1992 Apr;58(2):117-23. doi: 10.1055/s-2006-961411. PMID: 1529021.
    • Chrubasik S, Zimpfer C, Schütt U, Ziegler R. Effectiveness of Harpagophytum procumbens in treatment of acute low back pain. Phytomedicine. 1996 May;3(1):1-10. doi: 10.1016/S0944-7113(96)80003-1. PMID: 23194854.
    • Brien S, Lewith GT, McGregor G. Devil's Claw (Harpagophytum procumbens) as a treatment for osteoarthritis: a review of efficacy and safety. J Altern Complement Med. 2006 Dec;12(10):981-93. doi: 10.1089/acm.2006.12.981. PMID: 17212570.
    • Wegener T, Lüpke NP. Treatment of patients with arthrosis of hip or knee with an aqueous extract of devil's claw (Harpagophytum procumbens DC.). Phytother Res. 2003 Dec;17(10):1165-72. doi: 10.1002/ptr.1322. PMID: 14669250.
    • Denner SS. A review of the efficacy and safety of devil's claw for pain associated with degenerative musculoskeletal diseases, rheumatoid, and osteoarthritis. Holist Nurs Pract. 2007 Jul-Aug;21(4):203-7. doi: 10.1097/01.HNP.0000280932.65581.72. PMID: 17627199.

    Este artigo foi redigido pela equipa de I&D do Laboratório Sensilia, especializada em nutrição animal.

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