Muitos proprietários fazem a mesma pergunta: «Se eu der um suplemento articular ao meu cão, quando vou ver os primeiros resultados?»
A resposta não é imediata, porque os suplementos alimentares não atuam como os medicamentos. A sua eficácia assenta em mecanismos progressivos, ligados à absorção dos ativos, ao seu metabolismo e à sua integração no organismo.
Neste artigo, vamos explicar por que razão é por vezes necessário esperar várias semanas para observar uma melhoria, e como otimizar a suplementação do seu companheiro.
Como funciona um suplemento alimentar no cão?
Um suplemento articular contém ativos (Ómega-3, mexilhão de lábios verdes, etc.) que devem ser absorvidos e depois distribuídos pelo organismo. Concretamente:
Ingestão: o cão engole o suplemento (óleo, comprimido, pó…).
Digestão: os ativos são libertados no intestino.
Absorção: passam para o sangue.
Distribuição: atingem os tecidos-alvo (cartilagem, membrana sinovial).
Metabolismo e eliminação: são transformados e utilizados pelo organismo.
É o que se chama, em termos simplificados, a farmacocinética. Explica por que razão o efeito não é imediato: é preciso tempo para que os ativos se acumulem nos tecidos e modifiquem a inflamação crónica.
Suplemento alimentar ou medicamento: qual é a diferença?
Quando um cão sofre de dores articulares, o veterinário pode prescrever medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINE). O seu papel é bloquear de forma direcionada as enzimas COX-1 e COX-2, responsáveis pela produção de prostaglandinas, moléculas que mantêm a dor e a inflamação. Resultado: o alívio é rápido, por vezes em algumas horas. Mas este efeito é temporário: assim que o tratamento para, a inflamação retoma. Além disso, uma utilização prolongada de AINE pode provocar efeitos secundários (perturbações digestivas, lesões renais ou hepáticas).
Os suplementos alimentares articulares, por seu lado, não se destinam a substituir os AINEs. A sua ação é progressiva:
Não extinguem bruscamente a inflamação, mas modulam-na pouco a pouco.
Atuam a montante, influenciando os processos biológicos:
redução das citocinas pró-inflamatórias (estes mensageiros químicos produzidos pelo organismo que mantêm a inflamação crónica),
apoio à regeneração da cartilagem,
melhoria da qualidade do líquido sinovial.
Visam, portanto, não só melhorar o conforto, mas também preservar a mobilidade a longo prazo.
Pode-se, portanto, dizer que:
AINE = efeito rápido e sintomático, ideal numa fase de crise.
Suplementos = efeito lento, mas mais duradouro, integrados numa estratégia a longo prazo, com melhor tolerância.
Por que razão demora tempo: explicação científica
Muitos proprietários preocupam-se ao fim de duas ou três semanas sem melhoria visível. No entanto, isto é normal: o organismo precisa de tempo para integrar os ativos e estabilizar a inflamação.
Um suplemento articular não se limita a mascarar a dor: atua sobre os mecanismos subjacentes à inflamação e à regeneração tecidular. Para que os ativos atinjam os tecidos articulares (cartilagem, membrana sinovial, líquido articular), são necessárias várias etapas: absorção, circulação no sangue, integração nas células e, depois, ação sobre as enzimas e os mediadores inflamatórios. Este processo leva tempo.
A velocidade de aparecimento dos efeitos depende também do estado inicial da articulação:
Se a cartilagem ainda estiver pouco degradada, o organismo pode reagir mais rapidamente aos sinais anti-inflamatórios e protetores dos ativos.
Se, pelo contrário, a cartilagem já estiver fortemente desgastada ou fissurada, a regeneração é mais lenta, porque o tecido articular tem uma capacidade de reparação limitada. Neste caso, os suplementos irão sobretudo abrandar o agravamento e melhorar progressivamente o conforto, mas por vezes serão necessários vários meses até se verem alterações visíveis.
Por outras palavras, um suplemento articular trabalha «em profundidade»: não corta a inflamação como um analgésico, mas ajuda o organismo a recuperar um equilíbrio fisiológico, um processo que leva naturalmente tempo.
Exemplo com os Ómega-3 (EPA e DHA)
Os Ómega-3 (mexilhão de lábios verdes, alga, peixe) estão entre os ativos mais estudados para apoiar a mobilidade do cão. Atuam a vários níveis:
Integração nas membranas celulares: após a absorção, o EPA e o DHA substituem progressivamente o ácido araquidónico (um Ómega-6 pró-inflamatório).
Produção de mediadores especializados: o organismo fabrica então moléculas anti-inflamatórias naturais, chamadas resolvinas e protectinas, que reduzem a inflamação e protegem a cartilagem.
Ação sobre as células ósseas e cartilagíneas: alguns estudos mostraram que o DHA pode limitar a formação de osteoclastos (células que degradam o osso e a cartilagem).
Mas este processo é progressivo: é preciso tempo para que as membranas celulares fiquem suficientemente enriquecidas em Ómega-3 e para que os mediadores anti-inflamatórios passem a predominar.
Cães suplementados com Ómega-3 apresentam uma melhoria significativa do apoio do peso apenas após 12 semanas.
Roush et al.
Em que é que isto é diferente de um AINE?
Os AINEs (anti-inflamatórios não esteroides) atuam rapidamente sobre a dor e a inflamação, mas a sua ação permanece sintomática. Bloqueiam a produção de prostaglandinas (moléculas responsáveis pela dor e pelo edema), mas não têm qualquer efeito sobre a reparação da cartilagem. Assim que o tratamento é interrompido, a inflamação e a dor podem reaparecer.
Os Ómega-3 não se limitam a reduzir a inflamação: também contribuem para abrandar a degradação da cartilagem e para apoiar a sua regeneração, ao mesmo tempo que reequilibram os mecanismos inflamatórios a longo prazo. O seu efeito é, portanto, mais global e duradouro, mas também mais lento a aparecer.
Estas duas abordagens não são opostas, mas complementares:
após uma operação, uma claudicação ou um traumatismo, os AINE podem ser utilizados pontualmente para aliviar a dor imediata;
para as perturbações crónicas como a artrose ou a displasia, uma suplementação contínua em Ómega-3 ajuda a preservar a mobilidade e a limitar a degradação articular a longo prazo.
Quanto tempo é necessário em média?
Antes de mais, é preciso ter presente que muito poucos ativos demonstraram realmente uma eficácia clínica sólida no cão com artrose.
Uma meta-análise recente mostrou que, entre o conjunto dos nutracêuticos estudados, os Ómega-3 são os únicos a apresentar uma eficácia clínica significativa sobre a mobilidade dos cães com artrose, com resultados entre 6 e 12 semanas.
Barbeau-Grégoire et al.
Em contrapartida, para outros ativos muito utilizados (glucosamina, condroitina, colagénio), as provas científicas permanecem insuficientes ou de qualidade limitada, e não permitem concluir claramente uma eficácia. A meta-análise sublinha, portanto, que os dados atuais não são suficientemente robustos para saber com precisão quando surgem os resultados consoante o ativo.
Prazos médios dos resultados
2 a 4 semanas: primeiras melhorias possíveis
4 a 6 semanas: os benefícios começam a manifestar-se
8 a 12 semanas: efeitos estáveis e nítidos, sobretudo com os Ómega-3
O prazo até à observação de resultados significativos depende não só do ativo utilizado e da sua forma galénica (óleo, pó, comprimido…), mas também de cada cão e do estado inicial da sua cartilagem: quanto mais degradada estiver, mais lentamente se manifestará a melhoria.
Os fatores que influenciam os resultados
Ainda que a literatura científica forneça referências (4 a 12 semanas em média), a realidade é frequentemente mais matizada. Vários fatores explicam por que razão alguns cães reagem mais depressa do que outros:
Idade do cão: os cães seniores respondem geralmente mais lentamente, porque os seus tecidos articulares já estão fragilizados e o seu metabolismo é menos eficaz.
Peso e condição física: um cão com excesso de peso exerce uma sobrecarga mecânica mais forte sobre as suas articulações, o que pode atrasar a perceção dos benefícios. Pelo contrário, um cão magro e ativo pode responder mais rapidamente.
Gravidade das perturbações articulares: se a cartilagem estiver pouco degradada, a melhoria é frequentemente mais rápida. Em contrapartida, em articulações já muito desgastadas, os suplementos terão sobretudo um papel de estabilização e de abrandamento da progressão.
Tipo e concentração do suplemento: nem todos os produtos são equivalentes. Um óleo concentrado em Ómega-3 ou em extrato de mexilhão de lábios verdes será geralmente mais eficaz (e mais rápido) do que um pó fracamente dosado.
Regularidade da administração: a chave é a continuidade. Um esquecimento frequente ou uma suplementação interrompida reduz consideravelmente as hipóteses de obter efeitos visíveis.
Em resumo, a rapidez dos resultados depende tanto da qualidade do produto como do perfil individual do cão.
Como otimizar uma cura de suplemento alimentar?
Para que o seu cão obtenha o máximo benefício de um suplemento articular, é importante atuar em vários eixos. Eis a lista de verificação a seguir:
Obter um diagnóstico veterinário: assegurar-se de que se trata realmente de uma perturbação articular e obter um protocolo adequado.
Escolher o suplemento certo: nem todos os produtos são equivalentes: observe a qualidade dos ativos, a sua concentração e a sua forma galénica.
Adaptar a alimentação: alguns nutrientes desempenham um papel-chave na luta contra a inflamação.
Manter a mobilidade com exercícios suaves: mexer-se continua a ser essencial para preservar as articulações, desde que se escolham atividades adequadas.
Explorar a fisioterapia: hidroterapia, osteopatia, massagens… estas abordagens podem complementar de forma útil a suplementação.
Adaptar o ambiente do cão: pavimento antiderrapante, cama ortopédica, massagens regulares: gestos simples que aliviam no dia a dia.
FAQ
Conclusão
Os suplementos articulares são uma abordagem natural e progressiva para apoiar a mobilidade dos cães. A sua ação exige tempo, frequentemente entre 4 e 12 semanas, porque não mascaram a dor, mas atuam em profundidade sobre a inflamação e a proteção da cartilagem.
A paciência, a regularidade e um acompanhamento global (alimentação, exercício, ambiente, conselhos veterinários) são as chaves para oferecer ao seu companheiro um melhor conforto articular.
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Este artigo foi redigido pela equipa de I&D do Laboratório Sensilia, especialista em nutrição animal.
O Laboratório Sensilia é um laboratório francês, familiar e independente, situado na Gironda (França). Desde 2019, trabalhamos na investigação e no fabrico de produtos de bem-estar saudáveis e inovadores.